sexta-feira, agosto 18, 2006

Os amantes do tédio

Eu até pensava que já não se faziam filmes assim. Fazem-se e até ganham prémios em Veneza e outras cidades decadentes. Os Amantes Regulares é uma estucha a preto e branco, de três horas, sobre o Maio de 68, uns amores banais, uns artistas idem, tem uma banda sonora com o piano mais irritante desde a invenção do dito e uma data de maneirismos/erros cinematográficos que serão bons para estudar nas escolas de cinema, mas que são de todo desaconselháveis a consumidores pagantes. As cenas de consumo de drogas, só consumo sem mais nada a acontecer, dariam para poupar quase um terço do nosso precioso tempo. Para consolo de todos, o protagonista morre no fim, uma espécie de vingança em diferido, já que o actor que o intepreta é filho do realizador. A bem da verdade, eu nem deveria estar para aqui a criticar o filme - afinal de contas, não o vi todo. Adormeci profundamente, logo no início, durante uma longuíííííssima cena alusiva às barricadas do Maio de 68 - o aburdo total, nada a acontecer e nós ali a ver. Depois, lá mais para a frente, acho que perdi umas confissões de cama, numa altura em que a malta andava em trocas e baldrocas, muita angústia existencial, muita queca, muito desatino. Enfim, se acharem que podem dispor de 5 euros para abrasar sem glória e de três horas em que poderiam estar a fazer qualquer coisa mais interessante - como, por exemplo, contar as matrículas ímpares que vão passando na Avenida de Roma - e não resistirem, depois digam alguma coisa. Ah... mas não contem ao Manoel de Oliveira que o filme está em exibição - acho que ele ia ficar verde de inveja.





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